quarta-feira, 17 de outubro de 2018
Sobre sorrisos em tempos difíceis
Qualquer que fosse o dia
Ter que argumentar
Contra esses impropérios
Ditos por bocas sujas
Em esquinas antes vazias
O grito ganhou voz
Enquanto diálogos caíram
Farpas são nostalgia
Agressões as intimidam
Mesmo dores doídas
Se escondem sob aflição
A autoconsciência cala
Percebendo o perigo ao lado
Mas há brechas por aí
É preciso acreditar e lembrar
Não há luta sem cessar
Sorrir é necessário para reagir
Hailton Andrade
Timidez laureada
Assim de antemão me desculpo
Uma vez ou outra faço isso
Raros são momentos como esse
Às vezes sequer os percebo
Por isso te dou este papel
Indo atrás do meu instinto
Para dizer que você é linda
Antes do meio dia e também depois
Rindo igual rio de águas rasas
Natural até nas mechas verdes
Hailton Andrade
Parte do alfabeto
No navio naveguei
Os olhos orbitaram
Para paraísos pertinentes
Quando queriam quereres
Roubar raízes raras
Sabendo sobre sóis
Trabalhando tabus turvios
Uivando uvas usuais
Valendo velas verdes
Hailton Andrade
segunda-feira, 10 de outubro de 2016
Tulipa
Uma flor que aflora
Que aflora aos poucos
Aos poucos se mostra
Se mostra na primavera
Na primavera a vez é dela
É dela tudo cujo desejo quer
Desejo quer a tulipa
Hailton Andrade
Erro poético
Ando as ruas sem compasso
Sinto saudade do abraço
Penso os dias cansado
Bocejo sem ter pensado
Viajo em cada canto
Canso no ritmo acalmado
Vejo a paz no futuro
Chego lá logo
Acalmo meu coração
Sigo mais acalmado
Espero você ao lado
Coração não é verbo
Erro poético
Findo sem ânimo
Hailton Andrade
Partes de um
A outra é tristeza
Eu sou só duas partes
A junção imperfeita
Não tem bem ou mal
É sorriso ou choro
Dor some só com prazer
O amor segue sua luta
Fica neutro onde só há dicotomia
Hailton Andrade
terça-feira, 13 de setembro de 2016
Contagem triste
Um dia a gente saiu
Hoje somos só nós dois
Terça estarei sozinho
Às quatro da tarde comerei
Pois será a quinta vez na semana
Que estarei às seis sem você
Sete notas hão de ser
Com pausa na oitava
Sem nove ou zero a dizer
Hailton Andrade
Al final
El viaje se acabó
Una nueva ruta empezó
Salí de donde nascí
Mi continente és justo allí
Donde hay todo lo que necesito
Mi hogar sin en esto pensar
Siento ser más latino ahora
Era como si yo fuera de afuera
Pues no habia alcanzado
Llegar tan lejos y quedarme
Mi vida sigue
El camino vive
Lo que he dejado me acompaña
He vivido sin apagar la llama
Del fuego de mi corazón
La familia ha crecido
Mis ojos no tienen foco
Miro todo lo que puedo solo
Para aprender y crescer
Vivir intensamente és todo
Al final de este viaje empezo otra busquéda
Sin rumbo, sigo por lo que quiero
Aunque no sepa
Lo que me espera
Caminar siempre és todo que me importa
Hailton Andrade
sexta-feira, 22 de abril de 2016
Desconexo
Embora sinta tanto
Nem amor, nem dor
Sensações desconexas
Um buraco negro leva
Tudo e mais
Não sobra nada
Sinto um vazio
Hailton Andrade
segunda-feira, 18 de abril de 2016
Piada para todos rirem (Utopia)
O bom humor é rei
Na derrota ou no ganhei
Somos palhaços com dor
Há mais ódio que amor
Esse nosso circo desolador
Fazemos piadas do 7x1
E 'memeficamos' tudo
Temos tesão por palhaçada
O riso é nossa escapatória
Somos piadistas natos
Mesmo quando não é engraçado
Ameaças apenas geram risadas
Vindas de terroristas ou de casa
Casa que ri da nossa cara
Parte da gente ri junto
Muitos de nós não ligam
Não há problema em ser a piada
A esperança é virar o jogo
Deixar de ser essa boba razão
Para ser autor de um novo bordão
Quem sabe sem usar Deus em vão
Citar a família também não vale, não
Depreciar minorias e exaltar 64 então
Sem querer separar o Brasil
Basta que o humor seja do bom
Bebamos chimarrão dançando baião
Pedir o fim das 'bromas' é demais
Essa utopia eu rechaço, acho
Me sinto feliz se rimos todos juntos
Hailton Andrade
terça-feira, 3 de novembro de 2015
Palavras soltas e nomes
Não estão sempre acordados
São raros os momentos irradiados
Mesmo ontem quando lia
Fui nadar em meio ao todo
Fiquei ilhado por osmose
Sem casa e sem nada
É assim
Hailton Andrade
quarta-feira, 14 de outubro de 2015
Vero
Escapada fugaz
Roubada aprazível
Onomatopeia gringa
Nó torto
Ilha sentimental
Ciranda tímida
Alvorada alemã
Hailton Andrade
Expectativa efêmera
O caminho é largo
Mas eu chego cedo
Embora seja mais um trecho
Aproxima-se algo novo
Cada semana é assim
Tudo é sempre diferente
Não me canso
Ao menos agora
Observo e tento refletir
Me animo e me alegro
Pouco me decepciono
Sempre, todavia, me preocupo
O medo eu não tenho
E quem o tem?
Com ele se convive
Compartilha se quiser
Prefiro a relação discreta
Seguimos rumo ao norte
A busca é por calor
Somos eu e o que sinto
Hailton Andrade
segunda-feira, 5 de outubro de 2015
Divagando
Pois digo com razão
Eu sei o que é felicidade
Embora nem sempre a tenha na mão
Vivo plenamente e não em vão
Ignorando a simples adversidade
O difícil não some são
Necessita ser esfarelado como pão
Assim faz o viajante em qualquer cidade
E tenho essa certa predileção
Em dizer mais sim do que não
Me encanta essa coisa de positividade
Hailton Andrade
quarta-feira, 30 de setembro de 2015
Nostalgia ao entardecer
Disse que a rua abriu
E o céu se pronunciou
Junto com mar e rio
Ficou tudo certo
As pedras e a areia
Os pássaros e os peixes
Menos você e eu
Bateu uma saudade
Uma vontade ou desejo
Punta del Este é linda
Imagina você
E você e ela
E nós
E tudo
E nada
Hailton Andrade
segunda-feira, 1 de junho de 2015
As opções de iá iá
Aquilo que sequer sabe
Quando na verdade teme
Você me chama de canalha, iá iá
Mas nem me conhece
Ainda assim gosta do que vê
Você ri de mim, iá iá
Sem razão específica
Talvez seja bobagem
Você sorri comigo, iá iá
De alguma forma há graça
Mesmo em tolas palavras
Você pode parar, iá iá
Dizer o que quer
Só dar um ponto final
Você vai escolher, iá iá
São apenas duas as opções
Dá-me ou roubo teu coração
Hailton Andrade
sexta-feira, 8 de maio de 2015
Bagagem
Na cabeça, lembranças
Na barriga, a fome
Nos braços, amizades
Nas pernas, os caminhos
Nas lembranças, vocês
Na fome, a sede
Nas amizades, tudo
Nos caminhos, o mundo
sexta-feira, 5 de dezembro de 2014
Carta à toa
A vida nos surpreende, mas não à toa
É preciso ir onde há coisa boa
Só ao lado de certas pessoas
É que a gente consegue ser à toa
Sem ao menos conhecer a estranheza
A mesma dos encontros perdidos
Como ser surpreendido?
Estive no México há algumas semanas
Lá encontrei alguns amigos
Os quais jamais havia visto
Reconheci todos eles pela maneira como falavam
Cada um com seu idioma
Não esperava ver tanta gente
Tão, menos ou mais à toa
Não foi uma surpresa das grandes
Mas é legal saber o quão bom pode ser esse mundo
No meu caminho pisei em pedras
Também nele me deparei com flores
No fim tudo valeu a pena, ou mais
Agora é ir de novo para qualquer lugar
Em busca se coisas boas
De pessoas amigas, mesmo desconhecidas
De sentir de novo a beleza
Essa coisa de estar à toa
Hailton Andrade
quinta-feira, 4 de dezembro de 2014
Labuta
A busca incessante pelo que fazer
Ter tão pouco para se estressar
Viver livre para descobrir
Que inveja a viagem me dá
Ela não posso ser
Há tanta coisa que eu queria mudar
Porém sei, é impossível fugir
Das responsabilidades que o mundo me dá
Parece que não, mas tento prover
Tudo para quem quer se aventurar
Nem todos querem ir
Isso me deixa tão... Sabe-se lá
Hailton Andrade
quarta-feira, 3 de dezembro de 2014
Palavra excluída
Não é muito diferente
Mas ninguém me entende
Não sei como me expressar
Às vezes passo do ponto
Entro em transe
E volto perdido um segundo depois
Falando em depois
Como é bom rever o tempo
Lento, sem correr
Faz algum tempo, não sei precisar
Decidi excluir
Uma derivação desse verbo veloz
Só do meu vocabulário
Como é bom tê-lo esquecido
Ao menos hoje
Hailton Andrade