sexta-feira, 14 de setembro de 2018

Rotina

Despertei ainda com sono. Levantei para ir ao banheiro. Bebi água logo em seguida. Era 7h20 e, após 20 minutos, voltei para cama. Não demorei a dormir. A cortina do meu quarto me ajudou a imaginar que o dia havia terminado ao evitar a entrada de raios do sol pela janela. Quando o sono acabou de verdade o dia alcançava sua metade e o relógio marcava 12h. Levantei outra vez e repeti o ritual. Sentei no sofá e liguei a TV. Sem perceber, abocanhei meu sanduíche de queijo e mortadela. Pouco a pouco bebi a taça de café. Zapeei, mexi no celular e logo vi que já eram quase 15h. Perdi três horas do dia e não me lembrava o que acabara de fazer. Decidi lavar os pratos acumulados do dia anterior. Coloquei música no celular e o tempo passou. Tomei banho e pouco depois vi o ponteiro do relógio chegar às 18h. Meus pais chegaram do trabalho. Conversei duas palavras com eles antes de cada um ir fazer o que tinha de fazer. Eu fui o primeiro a sair da sala. Jantei. Assisti ao jornal e me entreguei ao celular mais uma vez. O dia chegou às 22h. Era hora de fazer algo, ser produtivo. Enquanto pensava, o relógio me assustou. O dia acabou. Eram 2h da manhã e o sono voltou. Mais um dia passou e eu nem percebi. Será que amanhã também será assim?

Hailton Andrade

domingo, 19 de agosto de 2018

Carta

Caro Destino,

Você não vai acreditar, mas eu fiz novos planos pra gente. É, eu sei. "Outra vez?", você deve se perguntar. Só que aquela agonia veio incomodar de novo e não quero ela entre a gente. Isso sempre vai ser algo sobre nós. Lembra daquela vez que a gente deixou o emprego para viajar? Então, deu certo, né?! Olha quanta coisa boa veio depois. A gente mudou junto. Eu sei que isso é difícil pra você. Já estava tudo escrito. Carreira, carro, casa, família... Pensa se não valeu a pena bagunçar tudo e arrumar de novo. A proposta nova é a seguinte: não tem plano. Isso não é massa? A gente pode fazer o que bem entender a partir de amanhã. Só precisamos manter algumas regras. É preciso amar, não ter medo de sofrer e rir o máximo que a gente puder. Dito isso, conto com você pra escrever as possibilidades do nosso futuro a curto prazo novamente.

Com carinho,

Hailton Andrade

Enganando o tempo

Passavam das quatro da tarde quando ela chegou. Abri o portão com o sorriso de sempre. Sabia que do outro lado da porta outro me esperava. Não demorou muito para nos beijarmos. Foi ontem que nos vimos pela última vez, mas cada tempo longe um do outro pode se assemelhar a uma eternidade. Deixamos muito tempo passar no passado, não queremos repetir o erro agora.

Agora estamos no sofá. Do beijo da porta ao beijo de agora não sei o que houve. O tempo dá seus saltos. É como se os pequenos intervalos entre um chupão e outro não tivessem valor. São conexões inertes de uma dimensão alternativa. A dimensão escolhida por nós é a do beijo, abraço e sexo.

Estamos perdidos entre a realidade de ontem e do amanhã. Para a gente, felizmente, só há o agora. Presentemente estamos vivendo como poucos vivem o presente: intensamente. Sei que somos reféns eternos do momento, olhando com saudade do passado e sentindo certo otimismo pelo futuro. Mas nunca estaremos na nostalgia ou na projeção. Nosso tempo é do momento. Outro beijo.

Dedico o meu presente a ela, ela dedica o dela a mim. Assim tentamos enganar o tempo e dizer que aquilo é só nosso. No fundo ele ri e se deixa passar. Logo estou abrindo o portão para que ela possa ir embora. Um último beijo antes do próximo. O tempo o guarda em algum lugar no futuro. Pode ser que alguma porta volte a se abrir. Pode ser que seja eu a entrar. Pode ser que não haja porta. Só o tempo sabe. Nos resta, no agora, esperar.

Hailton Andrade

segunda-feira, 10 de outubro de 2016

Tulipa

A tulipa é uma flor
Uma flor que aflora
Que aflora aos poucos
Aos poucos se mostra
Se mostra na primavera
Na primavera a vez é dela
É dela tudo cujo desejo quer
Desejo quer a tulipa

Hailton Andrade

Erro poético

Passo os dias pensando
Ando as ruas sem compasso
Sinto saudade do abraço

Penso os dias cansado
Bocejo sem ter pensado
Viajo em cada canto

Canso no ritmo acalmado
Vejo a paz no futuro
Chego lá logo

Acalmo meu coração
Sigo mais acalmado
Espero você ao lado

Coração não é verbo
Erro poético
Findo sem ânimo

Hailton Andrade